Meta não paga desenvolvedor de App Vision Pro

Cristina Assunção

A Meta, embora critique a Apple por seu ecossistema fechado e suas implicações no metaverso, parece ter suas próprias práticas restritivas.

Isso ficou evidente em uma situação envolvendo um desenvolvedor e a exclusividade de um aplicativo para o headset da empresa, levantando questões sobre a abertura real da Meta.

Headset Meta lançado no Meta Connect

Meta Quest 3/Imagem-crédito: mixed-news- Tomislav Bezmalinovic
Meta Quest 3/Imagem-crédito: mixed-news- Tomislav Bezmalinovic

No final de setembro, a Meta lançou a terceira geração do Quest, seu novo headset de realidade mista, durante o evento Meta Connect.

O que não era de conhecimento público era que uma demonstração do produto incluía um aplicativo chamado AEI Fitness, desenvolvido pela Immersive Inc, liderada por Andre Elijah, em colaboração com a Meta e a marca de acessórios fitness Alo Yoga.

O AEI Fitness é um aplicativo de realidade virtual com avatares de instrutores que ensinam posições de ioga, pilates e outras técnicas de bem-estar. Para a Meta, era uma oportunidade de expandir seu catálogo de aplicativos de realidade virtual/aumentada e atrair mais usuários, mas um detalhe crucial mudou tudo.

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De acordo com a informação, o aplicativo foi retirado do evento e, aparentemente, de todos os projetos da empresa. A razão para essa reviravolta foi o fato de o desenvolvedor ter iniciado conversas com a Apple e a ByteDance para disponibilizar o aplicativo em seus headsets, além do Meta Quest.

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A Meta se recusou pagar

Meta/Imagem-crédito: ackernoon-por @sheharyarkhan
Meta/Imagem-crédito: ackernoon-por @sheharyarkhan

A reação da Meta foi dura, incluindo a recusa em pagar ao desenvolvedor a quantia acordada pela criação do aplicativo, que totalizava US$3,2 milhões. Isso aconteceu após Elijah ter recebido cerca de US$1,5 milhão. O desenvolvedor decidiu processar a Meta e a Alo, alegando que a retirada do aplicativo do headset da Meta prejudicaria a inovação, a qualidade, a escolha e a competição.

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Além do pagamento pendente, ele busca US$323 milhões em danos antitruste, violações contratuais e outros agravos. Não está claro se o contrato original permitia ou proibia o lançamento do aplicativo em outras plataformas, mas alega-se que não havia proibição explícita.

Elijah afirma que tanto a Apple quanto a ByteDance concordaram em lançar versões do aplicativo para seus headsets nos próximos anos, destacando o potencial do mercado de aplicativos fitness em realidade virtual, estimado em bilhões de dólares.

O desenvolvedor argumenta que a Meta adotou práticas “anticompetitivas e abusivas” com o objetivo de prejudicar seu aplicativo, considerando a influência da empresa no mercado de aplicativos de realidade virtual. O resultado do processo pode determinar o futuro da Immersive, uma novata no mercado de fitness em realidade virtual.

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Essa não é a primeira vez que a Meta enfrenta alegações de práticas anticompetitivas. A Fair Trade Commission dos EUA já tentou, sem sucesso, impedir a compra da Within Unlimited pela Meta, uma empresa que também oferece treinamentos fitness em realidade virtual.

O caso, com o número 5:23-cv-05159-NC, está sendo julgado na Corte Distrital do Distrito do Norte da Califórnia e levanta questões importantes sobre as práticas das gigantes da tecnologia no mercado em constante evolução da realidade virtual e aumentada.

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